quinta-feira, 19 de julho de 2012

A História que Quer Ser Contada: Impeachment COLLOR

Olá a tod@! Hoje eu quero colocar aqui uma nova temática a ser postada mensalmente, seria uma “coluna” que eu chamarei de: “A História que Quer Ser Contada!”. Aqui levantarei alguns assuntos que envolvem a história de nosso país ou mesmo a historia mundial, mas vista por um outro ângulo, um que normalmente não é repassado nas carteiras escolares. Afinal conhecer o passado de seu mundo, também é empregabilidade.

Para estreiar, vamos falar do Impeachment COLLOR. Embalado pela entrevista concedida colocada pela Central Globo de Jornalismo no programa Fantástico com a ex-primeira dama Rosane Collor.

Eu, como milhares de brasileiros, teve que passar pela tortura de assistir ao Fantástico somente esperando a “tão reveladora entrevista” com a ex-primeira dama Rosane Collor. Uma observação: Que exemplo de cidadão, hein? Que mulher de boa índole, honesta, inteligente. (risos a parte). Agora sério, a mulher num conseguia acertar UMA concordância verbal, imagina o que ela escreveu. Sem falar que ela se perdia nos detalhes, hora dizia que fazia, hora dizia que num sabia, parecia presidente do ParTido.

Mas não vamos comentar sobre a entrevista, o que na verdade me chamou atenção foi o caso do impeachment, que até hoje ainda é um ponto obscuro na história do nosso país, ou senão obscuro, mascarado pela mídia (não sou um extremista contra as emissoras, só desejo uma melhor conscientização do povo para filtrar o que lhes é repassado). Então vamos ao caso.

O ano era 1989, o país estava eufórico com o voto direto para presidente, após 04 anos do fim da ditadura. De um lado um representante da massa trabalhadora, advindo das classes operarias e das “prisões” pela ditadura, o Lula, que seria nosso melhor FUTURO presidente numa realidade alternativo.

Do outro lado está Fernando Collor de Melo, apelidado pela Tv brasileira de “o Caçador de Marajá”. Collor priorizou em seus discursos a caça ao marajás, que à época, era os funcionários públicos que tinham um rendimento milionário e desproporcional. Collor, orientado por profissionais de marketing, anunciou com estardalhaço a cobrança de 140 milhões de dólares dos usineiros do estado para com o Banco do Estado de Alagoas, havendo diversas repercussões positivas na imprensa.

Por fim, Collor é eleito presidente do Brasil em 1990, tomando posse e entrando para a historia como 1º presidente escolhido diretamente pelo povo após o regime militar.

Qual era a situação do nosso país à época? Bom, no ano anterior o pais sofria com uma inflação de 1.764%, lembro hoje que por diversas vezes iamos ao mercado pela manhã comprar alguum item e meio que corríamos na frete do “etiquetador”, pois o mesmo já estava de posse do mecanismo de reajuste de preço em mãos pronto para transformar o arroz em “caviar”, falando em preço, não gosto, ok?

Quais as medidas do então presidente para gerir essa hiperinflação? Primeiro voltar a por em circulação o cruzeiro como unidade monetária em substituição ao cruzado novo e o confisco dos depósitos bancários superiores a Cr$ 50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros) por um prazo de dezoito meses visando reduzir a quantidade de moeda em circulação.

Vejam que apesar do “confisco” se algo absolutamente ilegal, posto que vem de encontro ao direito de usufruir de algo que é de sua propriedade, passou pelo congresso sem grandes discussões, e digo mais, nem mesmo a população, nesse ponto chegou a se inflamar com a referida medida de freio da hiperinflação, até mesmo devido a inflação ter recuado para 5% ao mês.

Outra medida, e essa sim minou o cargo do Fernando Collor, foi eliminação de vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas.

Nesse panorama, o então presidente Collor implementa o neoliberalismo econômico brasileiro, procurando mostrar ser impossível uma planificação integral. Ou seja, é impossível que um planejador central (governo) estabeleça o que deve ou não ser produzido, assim como o quanto se deve produzir. A partir dai o empreendedor decide e o Estado não pode mais interferir.

Aqui, um dos principais reflexos do neoliberalismo foi que o Brasil acabou por abrir suas portas comerciais do Brasil para produtos estrangeiros.

Há quem diga que não, que já em 1988/89 o pais já implementava políticas de abertura comercial, mas ainda muito tímidas, inclusive a principal medida se da na redução do imposto de importação, que era de 51%, para 41% e abrangiam apenas a 15,8% das importações totais do país .

Para se ter uma noção dos impactos dessa abertura econômica, entre 1993 (último ano da segunda fase da abertura) e 1989 (último ano da primeira fase), o valor das importações totais cresceu 38,3%, passando de US$ 18,263 bilhões para US$ 25,256 bilhões. O critério empregado
separou uma gama de 13.500 produtos em sete grupos, fixando a alíquota de importação entre
zero e 40%.

Agora imaginem o seguinte: você esta em um pais onde, ou compram arroz de você, pelo preço que você venha a impor ou se comprar um arros importado pelo mesmo preço que o seu, acrescido 41%, quem vai ficar rico? Você ou o importador?

Agora imagina que uma pessoa chega nesse seu pais e diz o seguinte: “- A partir de agora o produto externo também vai entrar no pais, com alíquotas reduzidas, se aproximando, em valor, ao produto que você produz”.

A politica econômica brasileira de recessão somente privilegia os empresários locais, posto que os mesmo não sofriam com grande concorrência no mercado interno. Nesse contexto, aposto como na visualização a primeira coisa que você pensou foi: “– Adeus rico dinheirinho.”

E era isso o nosso panorama, o empresariado nacional poderia oferecer produtos de qualidade inferior (mais baratos), pois não havia concorrência, e obtinha um lucro imenso. Agora o cenário mudou, pois produtos importado de qualidade poderiam vir a fazer parte do itens de consumo do povo brasileiro, diminuindo seus lucros.

Em meados de 1991 começaram a surgir denuncias que envolviam pessoas do circulo central do presidente, em especial o famoso esquema PC Farias. O mesmo foi acusado por Pedro Collor de Mello, irmão do na ocasião Presidente da República do Brasil, de ser o testa de ferro em diversos esquemas de corrupção.

Okay, dinheiro publico foi usado para pagamento de contas pessoais, funcionários e contas fantasmas foram criadas para o pagamento dessas dívidas, obras foram superfaturadas, reforma em uma mansão (Casa da Dinda) com verbas da empresa Brasil Jet. Mas pensem comigo, o qual dessas ações citadas não se repetem Governo após Governo?

Qual grande candidato não troca Secretarias e Ministérios por “donativos” para campanha eleitoral? Quais obras, inclusive da COPA 2014, não estão claramente superfaturadas? Qual prefeito de interior que ao se eleger não compra uma “HILUX”? Não estou a defender Collor ou suas atitudes, pelo contrario, sou contra, acho que ele usou erroneamente o patrimônio público e merecia ser impedido, mas não foi a corrupção efetuado por este infeliz presidente que o impeachmou, mas sim o rombo que ele causou aos grandes empresários, com a abertura econômica.

Meu caro, não se engane com a “Marcha dos cara pintada”, pois, sem medo de ser injusto, 80% daqueles jovens que foram ao planalto protestar e pedir pelo impeachment eram universitario da UNB, que lembrem, não tinha nenhuma politica de cota, FIES ou PROUNI. Esse público, certamente eram os “playboys”, filhos dos grandes empresários que foram visivelmente prejudicados com a abertura econômica.

O povo não estava naquela passeata, pois o povo estava TRABALHANDO mesmo, como sempre, quem lá estava eram os jovens representantes de grandes empresas, a oposição e a TELEVISÃO (empresa), por isso não se engane pensando que este movimento foi popular.

Em meio a mensalões e cachoeiras, o que PC Farias e Collor fizeram é peixe pequeno. A história contextualizada é essa, no Brasil, o único impeachment por corrupção foi mais uma medida de manipulação para beneficio de uma oligarquia, vestida na pele do “bem maior para o povo”, que um movimento popular.

Lembrando que após renunciar e ser impedido, Collor foi absolvido das acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal, por cinco votos favoráveis e três contrários.

Hoje, vejam só, Collor é Senador de Alagoas e um dos mais atuantes na CPI do Cachoeira, inclusive requerendo o “impeachment” do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no termos do art. 52 da Constitução Federal, que legisla que compete privativamente ao Senado Federal “processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”, não cabendo ao Procurador-geral o simples engavetamento.