Olá a tod@! Hoje eu
quero colocar aqui uma nova temática a ser postada mensalmente,
seria uma “coluna” que eu chamarei de: “A História que Quer
Ser Contada!”. Aqui levantarei alguns assuntos que envolvem a
história de nosso país ou mesmo a historia mundial, mas vista por
um outro ângulo, um que normalmente não é repassado nas carteiras
escolares. Afinal conhecer o passado de seu mundo, também é
empregabilidade.
Para estreiar, vamos
falar do Impeachment COLLOR. Embalado pela entrevista concedida
colocada pela Central Globo de Jornalismo no programa Fantástico com
a ex-primeira dama Rosane Collor.
Eu,
como milhares de brasileiros, teve que passar pela tortura de
assistir ao Fantástico somente esperando a “tão reveladora
entrevista” com a ex-primeira dama Rosane Collor. Uma observação:
Que exemplo de cidadão, hein? Que mulher de boa índole, honesta,
inteligente. (risos a parte). Agora sério, a mulher num conseguia
acertar UMA concordância verbal, imagina o que ela escreveu. Sem
falar que ela se perdia nos detalhes, hora dizia que fazia, hora
dizia que num sabia, parecia presidente do ParTido.
Mas
não vamos comentar sobre a entrevista, o que na verdade me chamou
atenção foi o caso do impeachment, que até hoje ainda é um ponto
obscuro na história do nosso país, ou senão obscuro, mascarado
pela mídia (não sou um extremista contra as emissoras, só desejo
uma melhor conscientização do povo para filtrar o que lhes é
repassado). Então vamos ao caso.
O
ano era 1989, o país estava eufórico com o voto direto para
presidente, após 04 anos do fim da ditadura. De um lado um
representante da massa trabalhadora, advindo das classes operarias e
das “prisões” pela ditadura, o Lula, que seria nosso melhor
FUTURO presidente numa realidade alternativo.
Do
outro lado está Fernando Collor de Melo, apelidado pela Tv
brasileira de “o Caçador de Marajá”. Collor priorizou em seus
discursos a caça ao marajás, que à época, era os funcionários
públicos que tinham um rendimento milionário e desproporcional.
Collor, orientado por profissionais de marketing, anunciou com
estardalhaço a cobrança de 140 milhões de dólares dos usineiros
do estado para com o Banco do Estado de Alagoas, havendo diversas
repercussões positivas na imprensa.
Por
fim, Collor é eleito presidente do Brasil em 1990, tomando posse e
entrando para a historia como 1º presidente escolhido diretamente
pelo povo após o regime militar.
Qual
era a situação do nosso país à época? Bom, no ano anterior o
pais sofria com uma inflação de 1.764%, lembro hoje que por
diversas vezes iamos ao mercado pela manhã comprar alguum item e
meio que corríamos na frete do “etiquetador”, pois o mesmo já
estava de posse do mecanismo de reajuste de preço em mãos pronto
para transformar o arroz em “caviar”,
falando em preço, não gosto, ok?
Quais
as medidas do então presidente para gerir essa hiperinflação?
Primeiro voltar a por em circulação o cruzeiro
como unidade monetária em substituição ao cruzado
novo e o confisco dos depósitos bancários superiores a Cr$
50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros) por um prazo de dezoito meses
visando reduzir a quantidade de moeda em circulação.
Vejam
que apesar do “confisco” se algo absolutamente ilegal, posto que
vem de encontro ao direito de usufruir de algo que é de sua
propriedade, passou pelo congresso sem grandes discussões, e digo
mais, nem mesmo a população, nesse ponto chegou a se inflamar com a
referida medida de freio da hiperinflação, até mesmo devido a
inflação ter recuado para 5% ao mês.
Outra
medida, e essa sim minou o cargo do Fernando Collor, foi eliminação
de vários tipos de incentivos fiscais: para importações,
exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte
e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto
sobre as grandes fortunas.
Nesse
panorama, o então presidente Collor implementa o neoliberalismo
econômico brasileiro, procurando mostrar ser impossível uma
planificação integral. Ou seja, é impossível que um
planejador central (governo) estabeleça o que deve ou não ser
produzido, assim como o quanto se deve produzir. A partir dai o
empreendedor decide e o Estado não pode mais interferir.
Aqui,
um dos principais reflexos do neoliberalismo foi que o Brasil acabou
por abrir suas portas comerciais do Brasil para produtos
estrangeiros.
Há
quem diga que não, que já em 1988/89 o pais já implementava
políticas de abertura comercial, mas ainda muito tímidas, inclusive
a principal medida se da na redução do imposto de importação, que
era de 51%, para 41% e abrangiam apenas a 15,8% das
importações
totais do país
.
Para
se ter uma noção dos impactos dessa abertura econômica, entre 1993
(último ano da segunda fase da abertura) e 1989 (último ano da
primeira
fase), o valor das importações totais cresceu 38,3%,
passando de US$ 18,263 bilhões para US$
25,256 bilhões. O critério
empregado
separou
uma gama de 13.500 produtos em sete grupos, fixando a alíquota de
importação entre
zero
e 40%.
Agora
imaginem o seguinte: você esta em um pais onde, ou compram arroz de
você, pelo preço que você venha a impor ou se comprar um arros
importado pelo mesmo preço que o seu, acrescido 41%, quem vai ficar
rico? Você ou o importador?
Agora
imagina que uma pessoa chega nesse seu pais e diz o seguinte: “- A
partir de agora o produto externo também vai entrar no pais, com
alíquotas reduzidas, se aproximando, em valor, ao produto que você
produz”.
A
politica econômica brasileira de recessão somente privilegia os
empresários locais, posto que os mesmo não sofriam com grande
concorrência no mercado interno. Nesse contexto, aposto como na
visualização a primeira coisa que você pensou foi: “– Adeus
rico dinheirinho.”
E
era isso o nosso panorama, o empresariado nacional poderia oferecer
produtos de qualidade inferior (mais baratos), pois não havia
concorrência, e obtinha um lucro imenso. Agora o cenário mudou,
pois produtos importado de qualidade poderiam vir a fazer parte do
itens de consumo do povo brasileiro, diminuindo seus lucros.
Em
meados de 1991 começaram a surgir denuncias que envolviam pessoas do
circulo central do presidente, em especial o famoso esquema PC
Farias. O mesmo foi acusado por Pedro
Collor de Mello, irmão do na ocasião Presidente da República
do Brasil, de ser o testa
de ferro em diversos esquemas de corrupção.
Okay,
dinheiro publico foi usado para pagamento de contas pessoais,
funcionários e contas fantasmas foram criadas para o pagamento
dessas dívidas, obras foram superfaturadas, reforma em uma mansão
(Casa da Dinda) com verbas da empresa Brasil Jet. Mas pensem comigo,
o qual dessas ações citadas não se repetem Governo após Governo?
Qual
grande candidato não troca Secretarias e Ministérios por
“donativos” para campanha eleitoral? Quais obras, inclusive da
COPA 2014, não estão claramente superfaturadas? Qual prefeito de
interior que ao se eleger não compra uma “HILUX”? Não estou a
defender Collor ou suas atitudes, pelo contrario, sou contra, acho
que ele usou erroneamente o patrimônio público e merecia ser
impedido, mas não foi a corrupção efetuado por este infeliz
presidente que o impeachmou, mas sim o rombo que ele causou aos
grandes empresários, com a abertura econômica.
Meu
caro, não se engane com a “Marcha dos cara pintada”, pois, sem
medo de ser injusto, 80% daqueles jovens que foram ao planalto
protestar e pedir pelo impeachment eram universitario da UNB, que
lembrem, não tinha nenhuma politica de cota, FIES ou PROUNI. Esse
público, certamente eram os “playboys”, filhos dos grandes
empresários que foram visivelmente prejudicados com a abertura
econômica.
O
povo não estava naquela passeata, pois o povo estava TRABALHANDO
mesmo, como sempre, quem lá estava eram os jovens representantes de
grandes empresas, a oposição e a TELEVISÃO (empresa), por isso não
se engane pensando que este movimento foi popular.
Em
meio a mensalões e cachoeiras, o que PC Farias e Collor fizeram é
peixe pequeno. A história contextualizada é essa, no Brasil, o
único impeachment por corrupção foi mais uma medida de manipulação
para beneficio de uma oligarquia, vestida na pele do “bem maior
para o povo”, que um movimento popular.
Lembrando
que após renunciar e ser impedido, Collor foi absolvido das
acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal, por cinco
votos favoráveis e três contrários.
Hoje,
vejam só, Collor é Senador de Alagoas e um dos mais atuantes na CPI
do Cachoeira, inclusive requerendo o “impeachment” do
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no termos do art. 52
da Constitução Federal, que legisla que compete privativamente ao
Senado Federal “processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal
Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho
Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da República e
o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”, não
cabendo ao Procurador-geral o simples engavetamento.